Eu nunca pensei que um dia iria dizer isso na minha vida, mas eu ando cada vez mais com ASCO de viver em São Paulo.
Juro por Deus... eu sempre fui uma entusiasta da minha cidade natal. Sempre curti encher a boca pra falar que nasci na Avenida Paulista, o coração de Sampa. Que aqui tem tudo a qualquer hora do dia, da noite ou da madrugada, que não me falta nada, que é a maior cidade do país e por isso São Paulo é foda, me invejem... mas sério, ultimamente eu tenho pegado um nojo, um pavor de viver aqui, que olha...
Do que adianta tudo isso se os paulistanos (e os brasileiros em geral, claro) são mal educados e não estão nem aí de escutar uma merda de uma música qualquer sem fone de ouvido do meu lado no ônibus? Ou se elas INSISTEM em jogar a garrafa de refrigerante vazia na rua, sem a menor preocupação com a sujeira?
Do que adianta viver numa cidade onde o custo de vida é altíssimo? Qualquer almocinho simples durante a semana quando você está no trabalho não sai por menos de R$25,00? Onde pra comprar qualquer apê é quase 100 mil dilmas, as roupas, comida, táxi, produtos de limpeza, enfim... tudo tem um preço absurdo, totalmente fora dos padrões do que seu salário pode bancar? Sim, porque né? Vamos ser honestos? O salário que as pessoas recebem, comparado com os preços de serviços e produtos básicos é mixaria!
Onde pra fazer um trajeto curto de carro, é capaz de levar 1h e meia, porque o IPI do carro reduziu, então vamo todo mundo comprar pra fingir que a economia do país cresceu, a crise mundial não nos afeta e bora lotar as ruas e avenidas da cidade, porque elas ainda não tem trânsito o suficiente. E enquanto isso, o governo/prefeitura/o raio que o parta não investe NADA em transporte público. O ônibus é uma merda e não anda nem no corredor reservado para eles, o metrô não dá conta da quantidade de pessoas que vivem aqui e a CPTM... bom, acho que nem precisa falar da CPTM, que é um sistema de trens falho, que dá problema TODO SANTO DIA. A sensação que eu tenho é de que um grupo de pessoas sabota de propósito os trens da CPTM e depois ficam assistindo por uma TV dando risada dos troxas que precisam desse tipo de transporte. Só isso explica tamanho nível de trollagem!
Uma cidade onde em breve vai ter eleição e não tem UM candidato que sirva, que seja digno de dirigir a maior cidade do país. Não tem um candidato que tenha capacidade, competência e honestidade pra acabar com tudo de ruim que há em São Paulo, tornando isso aqui uma cidade agradável para ser vivida.
Um lugar que cresceu sem planejamento algum, a ponto de um bairro inteiro ter sido construído nas redondezas de um dos aeroportos sem que ninguém fizesse nada. Onde as pessoas mais pobres são obrigadas a viver na beira de córregos, simplesmente porque não tem uma caralha de uma política de planejamento.
Aí você me fala: ai, mas a vida noturna de São Paulo é completa! Sim, é. Mas e aí? O Metrô não funciona 24h, sendo assim você é obrigado a pegar um táxi pra voltar pra casa. A bandeira 2 do Táxi é praticamente um assalto a mão armada de tão caro, sem contar que você corre o risco de sofrer um acidente de carro por conta de algum babaca que saiu do rolê completamente bêbado e além de não respeitar a própria vida, ainda fode com a dos outros, dirigindo que nem um maluco.
Ahn sim: não citei os tais arrastões, que estão tirando da cidade o que ela mais tinha de legal: os restaurantes, com pratos de todas as partes do mundo. Cada vez menos as pessoas querem arriscar suas preciosas vidas (e seu iPhone, jóias, dinheiro) com um bando de adolescentes armados e loucos, né?
Explosões de caixas eletrônicos, seqüestros relâmpagos, furtos, assalto a mão armada, estupro, briga que pode resultar em morte, vandalismo, pixação, impunidade, polícia corrupta, poluição sonora, poluição visual, poluição dos carros e ônibus e motos, motoboys brotando do chão, assaltos em plena luz do dia, seqüestro de pessoas que estão longe de serem milionárias, trotes telefônicos de bandidos que passam o dia inteiro coçando o saco na cadeia, filas intermináveis em todos os lugares que você vai, estacionamentos com preços exorbitantes, caminhões quebrados parando o trânsito, motoboy largado na pista ferido parando o trânsito, enchentes, faróis quebrados depois de uma chuvinha qualquer, bueiros entupidos... precisa de mais?
Onde os rios que cortam a cidade são nojentos, sujos, fedem. As pessoas não sabem como descartar e reciclar seus lixos, porque não tem educação e nem cultura pra isso. O prefeito não se importa, o governador não tá nem aí. Depois vem com lei pra proibir as sacolinhas plásticas nos supermercados, usando um discurso muito bonito citando palavras e expressões como 'sustentabilidade', 'economia verde', 'um futuro melhor para as próximas gerações'.
Na boa, como que vai existir um futuro melhor pras próximas gerações se nada é feito pra isso?
Você vê alguma perspectiva de melhora pra São Paulo?
Porque eu... honestamente não vejo!
Quero ir embora pra Passárgada, ou qualquer lugar que o valha.
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terça-feira, 28 de agosto de 2012
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Em manifesto na web, jovens paulistas criticam migração
Acabei de ler uma matéria no Terra que um amigo meu revoltadíssimo tuitou. Vou colar a matéria e em negrito, minhas observações a respeito. Para ler a matéria sem meus comentários, clique aqui
~*~
Eles têm entre 18 e 25 anos, são universitários e se uniram a partir de um manifesto virtual, batizado de "São Paulo para os paulistas". A iniciativa, que começou com a voz solitária de uma jovem indignada diante da proposta de inserção da cultura nordestina na grade curricular de escolas da capital do Estado, foi ganhando adeptos e, em poucos meses, já contava com mais de 600 adesões, demonstrações de apoio expressas em assinaturas numa petição online.
Escolhido como porta-voz do grupo por ter um discurso mais moderado e menos conservador, o estudante Willian Godoy Navarro, 22 anos, conversou com Terra Magazine. Nitidamente preocupado em dosar as palavras, ele falou sobre as pretensões do movimento, que tem entre os principais objetivos discutir a questão da migração e a suposta subvalorização da cultura paulista, preterida, segundo o universitário, em função do espaço que culturas "estrangeiras" conquistaram em São Paulo.
-Existe uma representatividade muito forte, na Assembleia Legislativa, de deputados de origem nordestina, que trabalham para o povo paulista. E eles aprovam e trabalham em projetos de lei que valorizam a cultura de lá. Isso não é errado. O que ocorre é que existe uma supervalorização dessa cultura e nenhuma da paulista. Muitas vezes, o aluno passa pelo Ensino Fundamental, pelo Ensino Médio e nunca estudou, não sabe qual é a história de São Paulo, o que são os bandeirantes. E agora o cara quer inserir isso como uma disciplina, "culturas do Nordeste". Aqui não é o Nordeste. Ele deve fazer isso no Nordeste - afirma, garantindo que a preocupação do grupo não se dirige, especificamente, aos migrantes dessa região do país.
O universitário conta que a sondagem na internet foi apenas uma etapa inicial. O plano agora é criar o Movimento Juventude Paulistana, uma organização com "personalidade jurídica", que, a exemplo dos ativistas ambientais do Greenpeace, pretende buscar visibilidade por meio de atos públicos.
-A gente vai fazer alguma coisa na Ponte Estaiada. Uma faixa, uma mobilização que chame a atenção dos principais veículos de comunicação de São Paulo - adianta, sem, no entanto, revelar detalhes.
Confira a entrevista
Terra Magazine- Como surgiu a ideia do manifesto?
Willian Godoy Navarro - A ideia do manifesto surgiu por conta de algumas leis que ainda estão em discussão na Câmara, na Assembleia Legislativa, que defendem a aplicação de uma disciplina nas escolas públicas em relação à cultura nordestina. Isso desencadeou o movimento, porque não existe uma promoção da cultura paulista. Os alunos saem do Ensino Médio e não sabem o que foi a Revolução Constititucionalista de 1932.
Então, a Fabiana (uma das integrantes) criou a petição, jogou na internet e conseguiu a adesão. Foi formado um grupo. Dezenas jovens apoiam e se mobilizam na internet para divulgar. Foram se conhecendo pela internet. A petição está há poucos meses no ar e já tem mais de 600 assinaturas.
O que vocês pretendem exatamente?
A gente quer levantar a discussão. Não apoio a petição. Há uma discussão interna. Acredito que a petição é ousada demais, muito radical. A gente não pode fazer uma petição como se São Paulo fosse um Estado independente.
A petição dá a ideia de que há uma intenção separatista. Não há um consenso no grupo?
Existe um movimento separatista, que é o MRSP, Movimento República de São Paulo, mas a gente não faz parte. A gente apoia o MRSP, mas não apoia a ideia de separar São Paulo do Brasil. Na passeata de 9 de julho, conversamos com eles. É um movimento organizado. São centenas de jovens em todo o Estado. Tem sede em Ribeirão Preto, Sorocaba, Campinas, Santos, São José dos Campos e na cidade de São Paulo. Geralmente, são de famílias italianas. Também são grupos de universitários.
Mas o que vocês objetivam com esse manifesto?
Criar uma influência. Agregar outros jovens que tenham o mesmo interesse em discutir os temas de sua cidade. A gente está trabalhando agora de forma diferente. Vamos criar um grupo de jovens, o Movimento Juventude Paulistana. A migração deve ser discutida e deve ser criticada, mas uma crítica construtiva.
(simplesmente soltar frases do tipo: essa baianada que vem povoar a minha cidade ou então: tinha que ser nordestino não leva a nada. Eu concordo com ele quando a migração deve ser discutida de maneira construtiva. A cidade tem ficado cada vez mais caótica por que? Porque tem havido um crescimento da população desenfreado e a gente não tem mais estrutura pra isso. Mas só ficar reclamando sem pensar na raíz do problema não adianta nada)
No manifesto, há um trecho que fala em "migração predatória". Você concorda com o termo?
Não concordo. O que acontece é que não houve uma política migratória, nada que pudesse planejar isso. O que houve? São Paulo cresceu desde a década de 1970 pra cá, graças à migração. Isso é fato. São Paulo hoje é uma potência com a força de trabalho que os migrantes trouxeram para o estado. O que acontece é que, hoje, a cidade não consegue mais absorver essa migração que ainda continua. Não há nenhum tipo de política pública para administrar isso. As pessoas têm o direito de ir e vir, mas tem que haver uma política que pudesse trabalhar com elas.
(praticamente a mesma coisa que eu comentei acima. Eu não sou contra a migração. Mas lógico que deveria ter um controle. Uma pessoa de outro estado quer vir trabalhar aqui? Ótimo. Mas antes da gente receber "de braços abertos" deveriam existir leis parecidas como quando você vai morar em outro país. Tem emprego certo aqui? Aonde? Quanto tempo vai durar? Você já tem onde morar? Ótimo, então seja bem vindo a São Paulo. Do que simplesmente a cidade receber uma caralhada de migrantes que vem aqui tentar a sorte. E se dá errado, acontece o que? Vira mendigo? Vai morar em favela ou em região com ocupação irregular?)
Vocês são a favor de iniciativas que estimulam o retorno de migrantes ao local de origem?
Imagina só: um migrante que tinha um trabalho na área agrária, rural. Ele vem para uma cidade, sem qualificação, sem estudo, sem preparo. Ele não tem base para se manter nessa cidade. Se ele sempre trabalhou no meio rural, o que vai fazer na cidade? Ninguém pensou nisso.
(mais uma vez eu concordo com ele. Se para uma pessoa nascida aqui mesmo que teve condições de estudar em bons colégios, fez uma boa faculdade, é bem qualificado para o mercado de trabalho e mesmo assim encontra sérias dificuldades em arrumar um emprego, o que uma pessoa que morou a vida inteira num lugar no meio do nada vai conseguir aqui em São Paulo? Não é questão de ser preconceituosa e sim apenas coerente. Se a cidade oferecesse estudo de graça de QUALIDADE para essas pessoas que, sei lá queiram estudar aqui, ótimo, acho louvável. Mas todo mundo sabe que a educação pública daqui é caótica e poucos podem PAGAR uma boa instituição de ensino).
Então você apoia essas iniciativas?
Sim, é uma questão humanitária. Para você ter uma ideia, tem uma pesquisa que diz que 84% dos moradores de rua que vivem no Centro de São Paulo são migrantes. É aquela mesma história. Vêm para São Paulo, não são absorvidos, não têm amparo público e acabam vagando pela cidade. O custo de vida em São Paulo é alto. Acredito que seja um dos mais altos do pais. Já é difícil para um paulistano, que constrói uma carreira, comprar, financiar um apartamento ou uma casa, imagina para o migrante que consegue ganhar um salário mínimo por mês e tem uma família para sustentar?
(de novo: a cidade não tem estrutura direito nem pra quem é nascido aqui ou no Estado, que dirá pra alguém que vem de fora com pouca - ou nenhuma - instrução? Aqui é literalmente a selva de pedra, onde todo mundo quer te eliminar e se você não tem um pingo de digamos, malícia, acaba literalmente na sarjeta)
Lendo o manifesto, notei que o movimento tem uma particular preocupação com os nordestinos...
Não existe essa preocupação particular. Mineiros, nordestinos, mato-grossenses, paulistas que vieram do interior para a capital. Todos.
(ele quis ser eufemista, mas todo mundo sabe que a maioria dos migrantes que vem pra cá são nordestinos. Por que? Porquê eles tem poucas condições lá. Uma pessoa do sul ou mesmo de Belo Horizonte dificilmente vem pra cá. E vamos combinar: o preconceito contra nordestinos existe sim! Como bem resumiu meu pai: só tem que tomar cuidado pra não virar preconceito assumido. Porque ele já existe, só não é institucionalizado)
Mas, inicialmente, você comentou que a petição foi desencadeada pelos projetos de lei que defendem o ensino da cultura nordestina nas escolas.
O que desencadeou foi exatamente isso. Existe uma representatividade muito forte, na Assembleia Legislativa, de deputados de origem nordestina, que trabalham para o povo paulista. E eles aprovam e trabalham em projetos de lei que valorizam a cultura de lá. Isso não é errado. O que ocorre é que existe uma supervalorização dessa cultura e nenhuma da paulista. Muitas vezes, o aluno passa pelo Ensino Fundamental, pelo Ensino Médio e nunca estudou, não sabe qual é a história de São Paulo, o que são os bandeirantes. E agora o cara quer inserir isso como uma disciplina, "culturas do Nordeste". Aqui não é o Nordeste. Ele deve fazer isso no Nordeste.
(por mais que seja muito importante o paulistano ter um aprendizado do seu país como um todo, nossa cidade é meio que esponja. Aqui a gente encontra de tudo, de todas as culturas de todas as regiões do Brasil e do mundo. Então, a gente vai absorvendo essa quantia imensa de informações e acabamos perdendo um pouco da nossa própria identidade)
É por isso que vocês falam no manifesto: "O paulista olha ao seu redor e se vê um estrangeiro em sua própria terra"?
A Fabiana foi muito ousada, colocou palavras bastante fortes nesse manifesto. Por isso que vamos mudá-lo. E a gente não vai mais fazer isso pelo meio virtual. A gente vai utilizar essa influência que conseguimos para fazer algo oficial mesmo. Uma organização que vai ter uma personalidade jurídica. Vai ser algo com uma representatividade mais concreta.
Nesse primeiro momento, o manifesto virtual serviu para saber se haveria aceitação?
Foi um estudo para a gente sentir como seria a aceitação. Falar da migração sempre é um tabu. Sempre alguém vai se sentir prejudicado. A gente estava discutindo ontem para falar com você hoje. A gente não pode falar da migração. São Paulo foi construído por imigrantes e migrantes. O que tem que acontecer é uma administração, um controle.
(o que eu já escrevi lá em cima. Regulamentação, leis para a migração. Pra que essa cidade - e não só São Paulo, qualquer grande capital onde tem um grande fluxo de migração - não vire uma festa do oba oba, crescimento desenfreado sem o mínimo de controle)
Como assim "um controle"?
Não existe controle. Não controle. Controle é uma palavra muito forte. Mas nenhuma política que pudesse organizar a migração. Não só de nordestinos, mas de todos que vêm para São Paulo ou para outra cidade. A gente tem quase um milhão de pessoas na cidade de São Paulo que não conseguem emprego, que moram em favelas ou em áreas com más condições de moradia. A gente não tem estrutura para absorver a migração. Essa mão-de-obra, essa força de trabalho que continua vindo para São Paulo poderia desenvolver outras áreas do país. A gente se preocupa com o futuro da cidade.
(não só se preocupar com o futuro da cidade mas sim do país como um todo. Eu concordo com o meu amigo quando ele disse que o certo não é expulsar os migrantes que estão aqui. Tanto que eles não dizem isso em nenhum momento, em nenhum lugar. Até porque seria meio absurdo você chegar em alguém que já mora aqui há algum tempo e dizer: oi, você está sendo convidado a se retirar da nossa cidade. O certo mesmo é dar oportunidades pra que essas pessoas possam crescer na vida dentro de seu próprio estado. Por isso acho esse manifesto importante: pra abrir os olhos de todos o brasileiros e do governo, pra que eles possam investir em capitais em potencial. Não só aqui. Acho que seria uma ótima oportunidade de desenvolverem áreas mais abandonadas, como o próprio Nordeste. O manifesto não é puro e simplesmente de paulistanos burgueses idiotas, como disse meu amigo)
Vocês do movimento consideram que a migração provoca sobrecarga no sistema de saúde e impactos nos índices de violência?
Seria hipócrita se dissesse que não. A maior parte das pessoas que utiliza o SUS na cidade de São Paulo são migrantes. Agora, não que esse seria o problema. Em relação à violência, é também bastante contestado. O cara vem, mora na periferia, não tem emprego, não tem nenhuma base. Vai trabalhar no mercado informal ou arranjar outro meio. Mas as vezes há outras situações que fazem com que parta a criminalidade.
Vocês falam de xenofobia no manifesto. "Se um migrante adentra em uma região, e desrespeita seus costumes, não respeita a diversidade. Pretender modificá-los, moldá-los a si, impôr os próprios, forçar os anfitriões a aceitar a descaracterização, são atos de 'Xenofobia'". Quero que você comente esse trecho do manifesto.
Quem escreveu foi a Fabiana, mas acredito, que ela quis dizer que está sendo forçada a inclusão de uma cultura diferente. Não sei se você vai concordar comigo, mas tem uma característica bem peculiar. É muito diferente da cultura paulista, como a cultura paulista é diferente da cultura carioca. Quando existe qualquer ato de promoção da cultura dos paulistas é visto como preconceito.
(da mesma maneira como é preconceito um branco usar uma camiseta escrito: 100% branco. Por que um negro pode usar uma camiseta 100% orgulho negro sem ser considerado preconceituoso? Por que querer que os paulistanos dêem mais atenção à sua própria cultura é preconceito? Eu acho que quando um migrante ou até mesmo um IMIGRANTE vai morar em outro lugar diferente daquele seu de origem, ele deve no MÍNIMO respeito à cultura local. Chegar aqui e achar que aqui é Goiânia, Fortaleza ou Rio de Janeiro é muita falta de respeito com uma cultura que levou séculos para ser construída)
O que seria um ato de promoção da cultura paulista, por exemplo?
Por exemplo, existem mais pessoas que vão para a semana cultural nordestina, na Zona Norte, no Cambuci, onde há um centro de cultura nordestina, do que as que foram à passeata em 9 de julho, que é um marco para o Estado.
Então, na sua opinião há uma subvalorização da cultura de São Paulo?
Isso mesmo. Quem é o responsável? O governo e a prefeitura que incentivam isso. O problema é o seguinte: a maior parte do eleitorado que promove eles (políticos) são migrantes.
(eu não sou contra um migrante querer ser eleito a algum cargo político. Mas acho que nesse caso também deveria haver uma regulamentação: um mato grossense quer ser vereador da nossa cidade? Então vamos ver há quanto tempo ele mora aqui em São Paulo. Talvez estabelecer um tempo mínimo de sei lá, 25 anos. Um tempo suficiente pra que ele conheça todos os problemas da cidade, tenha idéias concretas para solucioná-las. Do que adianta eleger alguém que mal conhece o estado/cidade que ele quer representar?)
Especificamente, nordestino?
Sim, basicamente sim.
E, na visão de vocês, eles acabam elegendo representantes de origem nordestina...
Entendeu nosso ponto? O pessoal fala muito de outras culturas, mas qual é a cultura daqui? Ninguém fala.
No manifesto, vocês dizem que São Paulo cresceu sem receber dádivas do Brasil.
Certo.
Vocês dizem: "São Paulo não deve nada ao Brasil, portanto, o usufruto desse trabalho deve ser para o povo paulista".
Por exemplo, São Paulo é o estado que mais arrecada impostos, que mais produz. A gente não recebe nem um terço do que produz. Esse déficit orçamentário no Estado não permite que o governo trabalhe na habitação, na infra-estrutura, no saneamento, na educação e na saúde. A gente é prejudicado. O dinheiro dos impostos, das industrias e do povo de São Paulo é revertido para outros Estados, ao invés de ser aplicado novamente aqui.
Recife, Salvador recebem mais investimentos do Governo Federal do que arrecadam. A capital do Piauí, Teresina, é um exemplo disso. Isso é um absurdo, sendo que a gente tem problemas de transporte público em São Paulo. O transporte público aqui é terrível. Muitos falam que a migração foi responsável pelo avanço, mas São Paulo sempre foi rica. Sempre foi desenvolvida. E foi com a força do trabalho dos migrantes também. Mas não só dos migrantes, mas de todos os paulistas.
No manifesto, vocês dizem que os "migrantes não construíram São Paulo por serem alocados na construção civil. Seja desmentida tal falácia". Você acha que isso é realmente uma falácia?
Essa parte do manifesto não li, mas o entendimento é o seguinte: quem constrói São Paulo não são os pedreiros. São os empresários, os investimentos aplicados na cidade, feitos por paulistas. Falar que outras pessoas construíram a cidade é absurdo. Eles trabalharam, usaram sua força de trabalho. Não significa que construíram São Paulo. Esse prédio que você trabalha, por exemplo, não foi construído por migrantes...por pedreiros. Foi construído pela empresa que investiu, que financiou o projeto. Entendeu o ponto de vista do manifesto? As pessoas dizem: "Ah, os migrantes construíram São Paulo". Construíram com sua força de trabalho, mas se não fossem os investimentos e o dinheiro que gira na cidade, não teriam construído nada.
(aqui eu discordo só um pouquinho: acho que o crescimento de São Paulo foi feito sim pelo trabalho braçal dos migrantes, mas esse trabalho sem os investimentos de grandes empresários, essas construções civis não existiriam. Então acredito que nossa cidade cresceu - e cresce na soma das duas coisas)
Vocês têm noção do teor polêmico da causa que defendem?
É muito polêmico. É o que falei para a Fabiana. "Não se pode falar da migração. No Brasil, não se pode falar, porque todos são". Parte do manifesto não apoio. A gente vai estudar uma nova forma de aplicar um manifesto cabível para a realidade e para a necessidade de São Paulo.
(é polêmico porquê como eu já escrevi aqui: o preconceito existe, mas ninguém tem coragem de tornar isso público, como eles estão fazendo. A repórter se vocês perceberem, o tempo todo meio que trata como absurdo tudo o que eles estão divulgando, como se eles fossem politicamente incorretos. Mas tenho certeza que essa mesma repórter algum dia já reclamou algo do tipo: esse bando de baiano povoando a cidade, puta merda. A verdade é sempre polêmica)
Então, o manifesto que está na internet vai ser reformulado?
Vai ser reformulado. Vamos utilizar a influência conquistada com esses meses de trabalho. A gente vai fazer algo oficial agora, que vai ser o Movimento Juventude Paulistana. Vai ter um site e tudo mais.
E qual o objetivo do Movimento Juventude Paulistana?
Levantar esse assunto, mas de forma coerente. A gente vai tentar fazer com que ele seja discutido com a sociedade. Se a sociedade não tiver interesse em discutir a migração, a gente não discute. A gente vive em um país democrático e tem que expressar nosso ponto de vista. Há outros milhares de paulistanos que apoiam nossa ideia. A gente vai tentar levantar isso com a sociedade.
(é importante que esse manifesto não entre na cabeça pequena de alguns ignorantes como movimento separatista, como preconceito ou então com idéias fascistas do tipo: nós paulistanos somos melhores, por isso vamos expulsar todos os migrantes daqui. Acho bem coerente eles quererem discutir tudo isso de uma maneira não-polêmica, fazer com que as pessoas pensem um pouco a respeito de tudo que foi dito)
Como?
Como o Greenpeace chama a atenção? Ele faz uma passeata com 100 mil pessoas ou faz um ato que atrai a mídia. O ato. É isso que a gente vai fazer.
Já há algo planejado?
Não posso dizer. A gente vai fazer alguma coisa na ponte estaiada. Uma faixa, uma mobilização que chame a atenção dos principais veículos de comunicação de São Paulo. Se os paulistas não tiverem interessados em debater, a gente não vai debater. Queremos, pelo menos, criar uma oportunidade. Existe uma comunidade de São Paulo no Orkut. E eu levantei o tema. Foi só para fazer uma pesquisa mesmo. Muita gente falou mal, veio apedrejando. Em cada 10 pessoas, dois apoiavam. Se em cada 10 paulistanos, dois apoiarem, a gente vai ter, numa cidade de 10 milhões, 2 milhões. E isso é muita gente. Então, queremos pegar esses jovens, essas pessoas que querem mudar São Paulo, mudar não, pelo menos, melhorar.
(aqui eu já discordo. Aliás, como já disse aqui no meu blog um dia, eu sou contra essas manifestações públicas que param avenidas, praças, vias importantes da cidade causando trânsito, transtorno e irritação nas pessoas. Ao invés de chamarem a atenção de uma forma positiva, vão fazer isso de uma maneira negativa. Acho que eles deveriam pensar em outras formas de divulgar esse manifesto)
Na primeira etapa, vocês querem levantar a discussão sobre a migração, mas o que vem depois?
Depois disso, vamos planejar. Eu entrei agora. Eu decidi falar, porque eles são muito conservadores. Eu disse: "Não seria interessante se vocês falassem agora. Vamos mudar o discurso". Da forma radical que eles estão criando, não vão conseguir apoio de ninguém.
A ideia é abrandar o discurso para conseguir adesão, não impactar tanto?
A gente está utilizando métodos de publicidade, de promoção e de marketing, estudo de teses de algumas pessoas, que a gente está elaborando, para poder montar o movimento. A gente quer fazer algo que conquiste o maior número de pessoas possível.Estamos conseguindo adesão de algumas pessoas com influência. A gente tem o presidente de um centro acadêmico de um curso na USP.
Qual curso?
Ele não me deu autorização para falar.
Mas vocês querem manter o anonimato?
Ele quer.
Não faz muito sentido. Se vocês querem dar visibilidade ao tema, soa incoerente.
Ele está representando a comunidade japonesa. É descendente. E tem outras pessoas que trabalham com ele. Eu, do Centro Acadêmico da UNIP, outros de outras instituições. Anhembi-Morumbi... A gente está pegando pessoal da UNINOVE também, da Barra Funda. É um movimento de universitários.
Quantas adesões vocês já tiveram. As pessoas que se agregaram através da internet se encontram?
Todos as mais de 600 adesões (assinaturas na petição virtual) foram muito comprometidas e decididas, se possível, a apoiar. As pessoas que assinaram realmente têm interesse em participar e sempre geram soluções e ideias para que a gente possa melhorar o nosso plano. A gente tem 600 jovens que, a qualquer momento, se estiverem disponíveis, vão participar. Tem uma menina que veio de Campos do Jordão para conhecer a gente. Ainda mais agora. A gente tem 100 pessoas na cidade de São Paulo, que assinaram o manifesto, que estão dispostas a conversar, a entrar na reunião. E temos mais 600 pessoas do movimento separatista.
Onde vocês pretendem chegar?
Nossa meta é que isso seja discutido na Assembleia Legislativa, na Câmara Municipal. A gente quer que seja implantada algum tipo de política que possa administrar isso (migração). Que fale: "vocês não têm qualificação, então, vão fazer um curso de qualificação e ser alocados para outras áreas do Estado que oferecem mais oportunidades. As pessoas que vivem em São Paulo e querem, mas não têm condições de voltar para a terra de onde fugiram... A cidade gerar essa oportunidade para elas. O pouco que a gente conquistar para uma cidade como São Paulo vai ser bastante.
~*~
Essa discussão ainda vai dar muito pano pra manga. Mas se você ler direito, vai ver que é bastante coerente muitas coisas que eles dizem. E com certeza, você já pensou dessa maneira, ao menos uma vez na vida.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Desde o dia 12/03/2010 que eu tô me segurando prá não escrever sobre isso, mas hoje eu não me aguentei.
Naquele dia, eu estava subindo a Rebouças de ônibus, a caminho de casa. O ônibus ia virar na Paulista e de lá eu ia pegar o metrô Consolação feliz da vida. Mas quando chegou ali na Oscar Freire os ônibus TODOS pararam! Mesmo no corredor exclusivo prá eles, eles pararam, não iam nem prá frente e nem prá trás. O motorista abriu as portas e todo mundo desceu e fez o restante do caminho a pé, ou seja, subir o resto da Rebouças até a Paulista/Consolação. Naquele dia, fez um calor desgraçado mas mesmo assim como estava com pressa, fui a pé mesmo tentando manter o bom humor (afinal, em menos de 24 horas eu ia ver o show do Axl e aquela coisa toda).
Quando cheguei em casa e abri o site da Folha, descobri que o trânsito tinha parado por causa de manifestações na Paulista e arredores de professores que reivindicam não sei o que.
Beleza, veio o fim-de-semana, se passou outra semana e quando chegou na sexta-fera dia 19/03/2010 a MESMA COISA ACONTECE! Descer do ônibus, andar a Rebouças, blábláblá. Ao contrário de uma semana atrás, meu humor não se fazia presente. Pô, uma vez tudo bem, mas DUAS VEZES? E sempre na sexta-feira, que o trânsito já é mais caótico que o resto da semana. Daí junta um bando de pessoas prá ficar fazendo manifestação.
Hoje, acabei de entrar no site da Folha e? MAIS MANIFESTAÇÃO NA PAULISTA!!! Já xinguei meio mundo (até passei um pouco de vergonha, porquê tinha uma pessoa que não é do meu departamento na mesa da chefona) e tô tomando coragem prá sair daqui em direção a faculdade. Ainda bem que descobri um caminho alternativo prá chegar até a COnsolação, mas cacete meu!
Acho que é nessas horas que eu percebo que tenho um "quê" de Hitler. Se eu fosse prefeita de São Paulo, já ia logo proibir manifestação nas vias principais da cidade. E nem me importo se isso é institucional, iam ter que me respeitar. E isso inclui Marcha prá Jesus, Parada Gay e o caralho a quatro. E existem motivos prá isso:
- O trânsito da cidade tá ficando cada vez pior. A limpeza também. Basta ver as enchentes que tem acontecido com frequência. Daí junta um monte de gente prá sair protestando, gritando e sujando tudo por onde passam.
- Digamos que por exemplo, tem 400 pessoas que estão nas manifestações. Pode ter certeza que desse número total, só umas 80 sabem DE VERDADE o que estão fazendo lá. Todas as outras 320 pessoas estão lá por pura vadiagem, farofice, farra ou prá mostrar que é engajado, quando na verdade nem sabem prá que tudo aquilo serve. A mesma coisa vale prá Parada Gay. Quantos amigos seus você já não viu falar: vamos na Parada Gay aí mano, vai ser mó divertido, quando na real eles são heteros a procura de algo prá fazer no Domingo.
Todas essas manifestações, passeatas pau no cu perderam sua essência real. E brasileiro é um povo que gosta mesmo é de zona, de festa, mesmo que essa festa reflita no trânsito caótico da cidade e deixe meio mundo sem conseguir chegar em casa ou na faculdade.
- Acho que não existe nada mais egoísta do que fazer passeata/manifestação dessa maneira, que só visa vantagens prá você e seus colegas de sindicato. Pessoas assim prejudicam muito a vida dos outros que não tem NADA A VER com o que tá acontecendo. Se eles ganham pouco, desculpa, mas azar o deles. Eu só quero sair do trabalho em paz e conseguir chegar a tempo das aulas na faculdade.
Esse tipo de caos, eu sou contra mesmo!
Sou a favor do caos quando é prá um bem comum. Manifestação prá tirar algum político corrupto do poder, sei lá. Se essas mesmas pessoas organizassem manifestações assim, eu juro que participaria. E tenho certeza que essa cidade seria um lugar mais habitável.
Naquele dia, eu estava subindo a Rebouças de ônibus, a caminho de casa. O ônibus ia virar na Paulista e de lá eu ia pegar o metrô Consolação feliz da vida. Mas quando chegou ali na Oscar Freire os ônibus TODOS pararam! Mesmo no corredor exclusivo prá eles, eles pararam, não iam nem prá frente e nem prá trás. O motorista abriu as portas e todo mundo desceu e fez o restante do caminho a pé, ou seja, subir o resto da Rebouças até a Paulista/Consolação. Naquele dia, fez um calor desgraçado mas mesmo assim como estava com pressa, fui a pé mesmo tentando manter o bom humor (afinal, em menos de 24 horas eu ia ver o show do Axl e aquela coisa toda).
Quando cheguei em casa e abri o site da Folha, descobri que o trânsito tinha parado por causa de manifestações na Paulista e arredores de professores que reivindicam não sei o que.
Beleza, veio o fim-de-semana, se passou outra semana e quando chegou na sexta-fera dia 19/03/2010 a MESMA COISA ACONTECE! Descer do ônibus, andar a Rebouças, blábláblá. Ao contrário de uma semana atrás, meu humor não se fazia presente. Pô, uma vez tudo bem, mas DUAS VEZES? E sempre na sexta-feira, que o trânsito já é mais caótico que o resto da semana. Daí junta um bando de pessoas prá ficar fazendo manifestação.
Hoje, acabei de entrar no site da Folha e? MAIS MANIFESTAÇÃO NA PAULISTA!!! Já xinguei meio mundo (até passei um pouco de vergonha, porquê tinha uma pessoa que não é do meu departamento na mesa da chefona) e tô tomando coragem prá sair daqui em direção a faculdade. Ainda bem que descobri um caminho alternativo prá chegar até a COnsolação, mas cacete meu!
Acho que é nessas horas que eu percebo que tenho um "quê" de Hitler. Se eu fosse prefeita de São Paulo, já ia logo proibir manifestação nas vias principais da cidade. E nem me importo se isso é institucional, iam ter que me respeitar. E isso inclui Marcha prá Jesus, Parada Gay e o caralho a quatro. E existem motivos prá isso:
- O trânsito da cidade tá ficando cada vez pior. A limpeza também. Basta ver as enchentes que tem acontecido com frequência. Daí junta um monte de gente prá sair protestando, gritando e sujando tudo por onde passam.
- Digamos que por exemplo, tem 400 pessoas que estão nas manifestações. Pode ter certeza que desse número total, só umas 80 sabem DE VERDADE o que estão fazendo lá. Todas as outras 320 pessoas estão lá por pura vadiagem, farofice, farra ou prá mostrar que é engajado, quando na verdade nem sabem prá que tudo aquilo serve. A mesma coisa vale prá Parada Gay. Quantos amigos seus você já não viu falar: vamos na Parada Gay aí mano, vai ser mó divertido, quando na real eles são heteros a procura de algo prá fazer no Domingo.
Todas essas manifestações, passeatas pau no cu perderam sua essência real. E brasileiro é um povo que gosta mesmo é de zona, de festa, mesmo que essa festa reflita no trânsito caótico da cidade e deixe meio mundo sem conseguir chegar em casa ou na faculdade.
- Acho que não existe nada mais egoísta do que fazer passeata/manifestação dessa maneira, que só visa vantagens prá você e seus colegas de sindicato. Pessoas assim prejudicam muito a vida dos outros que não tem NADA A VER com o que tá acontecendo. Se eles ganham pouco, desculpa, mas azar o deles. Eu só quero sair do trabalho em paz e conseguir chegar a tempo das aulas na faculdade.
Esse tipo de caos, eu sou contra mesmo!
Sou a favor do caos quando é prá um bem comum. Manifestação prá tirar algum político corrupto do poder, sei lá. Se essas mesmas pessoas organizassem manifestações assim, eu juro que participaria. E tenho certeza que essa cidade seria um lugar mais habitável.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Guia de sobrevivência nos ônibus e metrôs de São Paulo

Inspirada no Guia de sobrevivência de como se alimentar no self-service sem ser comido do http://pinkego.org, eu resolvi fazer esse outro guia, mas a respeito do transporte público da cidade.
Regra nº 1: o negócio já começa antes de você entrar no ônibus e/ou no metrô. No primeiro caso, dica: você está num ponto onde passam vários Praça Ramos por exemplo e você precisa dele prá ir até o seu destino. Se por acaso no primeiro ônibus que passou você não consegue entrar de jeito nenhum, porquê está muito cheio, aguarde o próximo. Os corredores de ônibus só ficam com aquelas filas intermináveis por culpa dos apressadinhos que não podem esperar 5 minutos que seja até chegar um próximo mais vazio.
Já no metrô, se você não vai entrar naquele trem porquê está muito cheio e não quer ser empurrado, saia do caminho. Pois com certeza, se você ficar lá parado, uma manada de pessoas cansadas e irritadas vão sair te atropelando e aquela frase: só por cima do meu cadáver vai de repente, fazer todo o sentido prá você.
Regra nº 2: conseguiu entrar no ônibus? Legal, meio caminho andado prá você chegar em casa ou na faculdade. Mas pelo amor de tudo que é mais sagrado nesse mundo, já deixe separado o seu dinheiro ou bilhete único. Ahn, você não faz isso e quando chega na catraca fica caçando R$2,70 em moedas dentro dos seus bolsos? Pois nunca mais reclame da fila que fica do lado de fora do veículo, porque você é um dos grandes causadores prá que isso aconteça.
Regra nº 3: o telefone tocou. Atendeu? FALE BAIXO! Ninguém é obrigado a escutar sua conversa pouco interessante e nós já percebemos que você possui um aparelho celular. O mesmo vale para os que escutam música alta sem os fones de ouvido (lembra do post passado? Então). Você não é obrigado a escutar Guns n' Roses e eu não quero ouvir o Rebolation, obrigada!
Regra nº 4: você sentou no banquinho reservado a idosos, gestantes, obesos e etc. Daí entrou uma mulher que você definitivamente não sabe se ela espera uma criança ou se está (bem) acima do peso. O que fazer? NÃO CEDA O SEU LUGAR A ELA. Aconteceu comigo isso uma vez no metrô Paraíso e não foi agradável. A mulher disse: senta aqui. E eu, no ápice do mau humor respondi: eu não estou grávida, eu sou gorda mesmo! Tive que ouvir seus pedidos de desculpa do Paraíso até a Sé, estação onde ela desceu e foi um saco. Se a mulher realmente estiver grávida, ela vai PEDIR prá sentar.
Regra nº 5: ta sentado sozinho no banco? Bom prá você, se esparrame mesmo. Mas se alguém sentou ao seu lado, faça cara de paisagem e feche as pernas prá dar espaço a outra pessoa sentar. Isso vale prá quem coloca mochila, mala, jaqueta e derivados no banco vazio ao lado. Esses objetos não tem bunda, e se alguém precisa sentar lá, nada de fazer cara feia. Coloque no seu colo e siga sua viagem tranquilamente.
Regra nº 6: você está dentro do ônibus e o trânsito como sempre, está infernal? NÃO FIQUE RECLAMANDO E PRAGUEJANDO EM VOZ ALTA. Não vai adiantar em NADA, você não vai chegar mais cedo ao seu destino por isso e a pessoa que teve o infortúnio de sentar ao seu lado também está passando pela MESMA situação que você. Um pouco de respeito e bom senso não machuca ninguém.
Regra nº 7: a última e não menos importante. Terminou de beber aquela Dolly ou de comer o milho verde no potinho plástico? Não sei se você reparou, mas existe lixo DENTRO do ônibus prá que você possa jogar fora. Ahn, você ta dentro do metrô e lá não tem lixo? Tudo bem. Espere até saltar na sua estação prá colocar aquilo que ficou na sua mão no lugar certo! É muito fácil reclamar da prefeitura ou do governo porquê a cidade ta cada vez mais suja se você não faz sua parte.
sexta-feira, 26 de março de 2010
O melhor amigo do homem

Eu descobri que o melhor amigo do homem não é o cachorro, o gato, o papagaio, o peixe, o celular, o dinheiro. O melhor amigo do homem são os FONES DE OUVIDO! Sim, isso mesmo, os fones de ouvido.
Eu sou uma pessoa movida a música: no trabalho, prá dormir, prá acordar, prá fazer cocô, prá transar e principalmente, prá chegar ao trabalho sã e salva. Entrar no ônibus lotado e ter que escutar um funk no mais alto volume ou aquele tecnobrega com uma mulher gemendo em tom de voz capaz de estourar cristal definitivamente não é a melhor maneira de começar o meu dia. Por isso, estou sempre empunhada do meu iPod 8GB (grande parte desse espaço ocupado por BOA música, na minha opinião). É só colocar aqueles maravilhosos e confortáveis foninhos brancos, e pronto! Parece que eu sou transportada para uma outra dimensão, onde os MC’s e a banda Calypso não existem.
Porém, quando de repente acaba a bateria do meu tão querido iPod eu quase entro em desespero. Como evitar conversas alheias sem cultura das amigas voltando prá casa depois de um dia cheio na “firma”, aquele senhor ao seu lado reclamando do trânsito e xingando Deus e o mundo porquê não vai chegar na consulta médica a tempo, aquele ser desconhecido tentando socializar com você no ônibus ou aquela pessoa vindo de lá de cima do país falando ALTO ao telefone celular, na tentativa de mostrar que possui tal aparelho?
Por isso que eu falo que todo mundo deveria nascer com fones de ouvido já acoplados a cabeça. Alguém te encheu o saco ou o cara sentado ao seu lado no busão resolveu ouvir a música nova da Beyoncé, sem nem ao menos perguntar se você gosta. Ao invés de desejar ser surdo(a), você estala os dedos e voilá: surge um par de fones ultrapotentes tocando somente músicas de seu agrado. Não seria maravilhoso você não ter contato com essas pessoas mal educadas de todo dia?
Enquanto isso não acontece, se te deu vontade de ouvir uma música bem alta, ponha no ouvido seus foninhos comprados naquele camelô na porta do metrô Santana, plugue no seu MP49 importado do Stand Center e poupe o ouvido de milhares de pessoas como eu, que não são obrigadas a partilhar do seu “gosto” musical.
Grata.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Baseado em cenas reais

Aquela mancha de sangue no asfalto me deixou meio mal. Fiquei tentando imaginar quem seria o dono daquele líquido vermelho.
Eu sou curiosa, e quando desci do ônibus e vi aquela cena e as viaturas, fui perguntar para o policial o que tinha acontecido. Primeiro quis confirmar: - Moço, aquilo ali é sangue? É sim, foi a resposta dele. Daí perguntei: - O que aconteceu? Ele me disse que foi atropelamento. Eu até quis continuar o interrogatório, mas acho que não teria estômago prá isso.
Fiquei imaginando quem teria sofrido o acidente. Seria um homem ou uma mulher? Um morador de rua talvez, que na tentativa de atravessar a Consolação super movimentada, foi acertado em cheio por um carro ou um ônibus. Poderia ser alguém que morasse nas redondezas, voltando cansado(a) do trabalho. Chegaria na sua casa, comeria qualquer coisa que tivesse na geladeira, assistiria o Paredão do BBB e depois iria dormir prá no dia seguinte começar tudo de novo. E se fosse uma pessoa de idade? Um velhinho, uma senhorinha cujo reflexos já não são como antigamente e não conseguiu escapar.
Mas de todos esses meus devaneios, o pior foi que poderia ter sido algum estudante. E da minha faculdade! Podia ter sido alguém que acabou de entrar no Mackenzie, feliz da vida por entrar na tão sonhada universidade e com as aulas e as novidades. Podia ter sido algum veterano, no seu último ano indo de encontro com seus colegas de grupo de TGI, dando graças a Deus por estar acabando... podia ter sido eu! Nunca se sabe.
(A mancha de sangue no asfalto realmente existiu e alguém foi mesmo atropelado na Consolação ontem no fim da tarde quando eu estava chegando na faculdade)
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
São Paulo - 456 Anos

Dizem que amor e ódio andam lado a lado. E eu acredito nisso totalmente.
Quer exemplo maior que a minha relação com a cidade onde nasci?
São Paulo é a maior cidade do Brasil, é o que move esse país. Pessoas saem de outros estados para tentar a sorte aqui, o que a torna mais populosa, mais caótica e cada vez mais sem infra-estrutura prá receber os novos moradores e nem para atender os que já nasceram aqui.
O trânsito fica cada vez pior, impossível conseguir chegar na hora marcada prá um compromisso. Também não dá prá aliviar os congestionamentos com o transporte público, pois a qualidade não é lá aquelas coisas. Isso porquê, vamos lembrar, o prefeito recentemente aumentou a tarifa do ônibus dos já abusivos R$2,30 para (mais abusivo ainda) R$2,70. Além de claro, as linhas de metrô serem beeem escassas.
E olha que não citei a poluição (sonora, qualidade do ar, rios que mais parecem esgotos a céu aberto), a violência (que em alguns jornais já viraram "Cotidiano"), crianças, adultos e idosos morando debaixo da ponte e as enchentes, que tem se tornado mais frequentes do que eu pudesse imaginar.
Por outro lado, essa cidade tem tudo, TUDO! É até controverso - e irônico - pensar assim, mas não deixa de ser verdade. Quer se divertir em plena segunda-feira? São Paulo tem inúmeras opções de baladas e festas. Quer provar comida grega? O que não falta aqui são restaurantes dos mais variados cardápios e preços. Saiu da noitada com fome? Também tem vários lugares que funcionam 24 horas e que com certeza vão te agradar. Uma avenida linda onde estão concentrados todos os bancos? Aqui também tem. Quebrou a perna, precisa de uma cirurgia de emergência ou um tratamento raro? Sampa tem diversos hospitais, maternidades e ótimos médicos que podem ser comparados com os melhores do mundo. Se quiser comprar roupas, bugigangas, fantasias etc e gastar pouco, é só ir na José Paulino ou na 25 de Março. Frutas, legumes, verduras, flores. Aqui tem o Mercado Municipal e o Ceasa/Ceagesp. Relaxar no Domingo a tarde andando de bicicleta no Parque do Ibirapuera, assistir a um filme nos mais variados cinemas... enfim, as opções são tantas, que eu poderia escrever linhas e mais linhas sobre isso.
Assim como nas principais capitais do mundo, também temos nossas belezas arquitetônicas como a Igreja da Sé, a Pinacoteca, o MASP e o já citado Mercado Municipal. É... São Paulo é uma cidade e tanto.
É uma pena que seja tão mal-aproveitada, mal conservada. E pior: uma pena que nós, os próprios paulistanos, não saibamos enxergar as riquezas que se escondem por detrás das paisagens que estamos acostumados a ver todos os dias. Acaba passando desapercebeido e não nos damos conta do quão rica é essa cidade.
Parabéns São Paulo, pelos seus 456 anos.
-Ana-
Ps; ahn sim. A foto foi tirada por mim no sábado, quando eu e uma amiga minha resolvemos fazer um passeio de turistas na própria cidade. Depois relato mais sobre isso.
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