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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Diálogos que falam por mim


- Escuta. Sei que é difícil acreditar quando dizem 'sei como você se sente', mas no meu caso eu realmente sei como você se sente.

Sabe, eu estava saindo com alguém em Londres. Trabalhamos no mesmo jornal. Descobri que ele também saía com outra garota, Sarah, da seção de produção, no 19º andar. Acontece que ele não estava tão apaixonado quanto eu imaginava.

O que eu quero dizer é, sei como é se sentir extremamente pequena e insignificante. E como isso dói em lugares que você nem sabia que tinha em você. E não importa quantos cortes de cabelo, quantas academias você freqüenta, ou quantas garrafas você toma com as suas amigas... você continua indo para a cama todas as noites, repassando todos os detalhes e se pergunta o que fez de errado, ou como pôde ter entendido errado. Ou como por aquele momento pensou que pudesse ser feliz?

Até que se convence de que uma hora ou outra ele vai perceber e baterá na sua porta. E depois de tudo, ainda que essa situação tenha durado muito tempo, você vai para um lugar novo e conhece pessoas que te fazem sentir útil de novo. E vai recompondo sua alma pedaço a pedaço. E toda aquela confusão, os anos desperdiçados da sua vida... começam a desaparecer.

(O Amor Não Tira Férias)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Do que eu realmente tenho medo

Eu, Ana Clara, confesso ser uma pessoa um pouco medrosa. Tenho PAVOR de baratas, cobras e qualquer bicho nojento do gênero. Sinto PAÚRA de avião, porque sempre acho que o dia que eu morrer, vai ser em um acidente aéreo. Também tenho muito medo (mas muito mesmo) da morte. Além disso, tenho medos comuns como o medo de ser seqüestrada, assaltada, estuprada e de perder amigos ou parentes em algum acidente trágico ou algo do gênero.
Mas essas últimas semanas eu descobri outra coisa que tem me deixado apavorada: o de gostar de alguém de novo. O que antes eu considerava algo normal e que até acontecia na minha vida com uma certa facilidade, agora me deixa nervosa, com medo, insegurança, desconfiada.

Tenho medo de gostar dessa pessoa e, por mais que estejamos nos conhecendo, no final das contas não ser correspondida da maneira que eu quero. Medo de me decepcionar e de repente nunca me recuperar dessa decepção. Medo de estar sendo feita de boba, medo de criar laços de intimidade que logo logo se romperão. Medo de ouvir alguma coisa que eu não quero, ou pior: ouvir aquilo que quero e não saber o que fazer na hora.

Não sei dizer em que momento da minha vida eu fiquei assim tão medrosa. Achei que quanto mais velha ficasse, menos medo eu sentiria na minha vida.
Mas parece que com a idade vem as experiências e com as experiências vem o medo. O medo daquilo que me aconteceu há dois anos acontecer de novo; ou de ouvir o mesmo discurso que ouvi no começo do ano, só que dessa vez de uma pessoa diferente. Quando eu páro e penso em tudo que já vivi, no quanto eu já sofri, me humilhei, na quantidade de coisas ruins que escutei da boca de homens que eu tanto admirava e me decepcionaram eu penso: será que dessa vez vai ser igual? E se for? Será que você se recupera? E por mais que no fundo eu saiba que posso me recuperar, eu continuo sentindo... medo!

E esse medo me faz calcular milimetricamente minhas atitudes. Me fazem pensar, repensar e re-repensar (?) com muito cuidado as palavras que vou usar. Esse medo tira toda a minha essência... de ser espontânea, pouco me importando para o que vão pensar de mim ou não. E quando você perde sua essência amigo... é como se tirassem uma parte de você.

Vale a pena passar por tudo isso?
Não sei... mas já que entrei nisso, vamos ver até onde vai me levar.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

14/09/2007 - Notas de uma noite comum


Há 3 anos, o dia quatorze de setembro caiu numa sexta-feira. E como quase todas as sextas-feiras daquele ano, A. iria encontrar suas amigas no mesmo lugar de sempre, com as mesmas bandas de sempre tocando as mesmas músicas de sempre. Ela iria se embebedar com as mesmas bebidas de sempre e faria as mesmas merdas de sempre: beijar sua melhor amiga, beijar desconhecidos, talvez até fazer sexo casual com um cara qualquer no banheiro da balada, na esperança de alimentar sua auto-estima que andava baixa desde que tinha sido, mais uma vez, enganada pelo mesmo cara. Ela usaria também as roupas de sempre e tiraria as fotos com as poses de sempre.
Realmente, quase tudo que ela imaginava que ia acontecer aconteceu naquela noite. Mas uma coisa - uma pessoa, um homem - se destacou. Ele não fazia parte dos seus planos corriqueiros. Ela não prestou atenção nele, mesmo sabendo que estava junto com alguns de seus amigos. A. ainda tomou sua cerveja enquanto ele estava no banheiro e nem ao menos agradeceu.

A. passou a balada inteira andando pra lá e pra cá na companhia de suas amigas. Deve ter ficado com uns dois caras diferentes, isso sem contar os beijos com meninas que estavam se tornando cada vez mais freqüentes em sua vida. A. estava alcoolizada e sempre que ela fica assim, as baladas parece que acabam em 5 minutos. E naquela noite, OBVIAMENTE, não foi diferente. Em determinado momento, ela se encontrou com sua amiga, sua carona e disse: vamos pagar? Ao terminar essa frase, A. percebeu que ao redor dela estavam alguns conhecidos seus... e ele. NA HORA seu olhar parou NELE. "Como que eu não vi esse cara gatíssimo aqui antes?", ela pensou. Cabelos compridos, rosto quadrado, traços fortes mas ao mesmo tempo delicados. Um olhar tímido meio perdido. Alto, magro, misterioso. Sua amiga, talvez de propósito, talvez não, disse: - vai indo pra fila com o L., eu já vou.

E ela foi. Pegou na mão de L., um cara que ela nunca tinha visto na vida. Pararam para conversar com alguns amigos dela, enquanto eles continuavam de mãos dadas e foram pro final da fila. E foi ali, naquele momento que A. sentiu coisas que ela nunca havia sentido antes. Eles se olharam por um tempo e parecia que o tempo tinha parado. Todas as pessoas que estavam ao seu redor haviam desaparecido. Só estava ela e ele ali um de frente pro outro, sem trocar uma palavra. A. achava que esse tipo de coisa só acontecia em filmes. Mas não, estava acontecendo com ela. E ela não estava exagerando ao dizer que foi REALMENTE mágico! Ela, sempre falante, comunicativa... na frente daquele cara estranho ficou MUDA.
E foi nesse silêncio entre os dois que ele abriu um sorriso. Um sorriso maravilhoso, cheio de carinho e alegria, que mostrava seus dentes perfeitos, brancos, alinhados. "É o sorriso mais lindo que eu já vi na minha vida", ela pensou. E foi com esse sorriso que L. foi se aproximando, se aproximando... até que seus lábios encontraram com os dela. E eles se beijaram. Beijaram. Beijaram. Não conseguiam parar de se beijar.

Ela já tinha beijado caras desconhecidos, sem saber ao menos o nome antes. Mas ela nunca havia se sentido daquela maneira. No fundo, A. sentia que a partir daquele momento, sua vida tomaria um rumo totalmente diferente. Seria uma vida nova onde as baladas não seriam as mesmas. As músicas, as bebidas, os amigos não seriam os mesmos. Até mesmo as bebidas não mais seriam as mesmas. Seu estado de espírito e seu coração nunca mais seriam os mesmos depois daquele encontro no dia 14/09/2007.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Guia de como sobreviver ao fim de um namoro (para mulheres)


Conversando com uma amiga pelo MSN que está triste porque seu namoro terminou, resolvi montar um guia de como sobreviver ao fim de um namoro, casamento ou qualquer tipo de relacionamento amoroso:



Não chore na frente dele: chorar, na minha humilde opinião, é uma das maneiras mais baratas e clichês de se chantagear alguém que está terminando com você. Claro que é importante expressar seus sentimentos, mas faça isso no seu canto, onde ninguém possa ver suas fraquezas e quão triste você está.

Seja orgulhosa: se por acaso alguém terminou com você e depois de um tempo se arrependeu e pediu pra voltar, NÃO VOLTE! Uma vez que o relacionamento terminou ele nunca mais será o mesmo. Você sempre vai desconfiar de alguma coisa e nunca mais vai conseguir relaxar, pois vai achar que a qualquer minuto ele poderá terminar tudo outra vez.

Não corra atrás: suas amigas dizem que "se o namoro vale a pena, então você deve batalhar por ele?" É balela. Elas não devem fazer idéia do quão humilhante isso é. Nada de ligar no meio da madrugada chorando dizendo que teve um sonho com ele. Não mande cartas, e-mails, não pergunte dele pros amigos íntimos... isso só vai aumentar ainda mais o ego do rapaz. Ele vai pensar que é a coisa mais importante da SUA vida e automaticamente você estará em suas mãos. Além do mais: se foi ele que terminou, então se rolar algum sentimento de arrependimento tem que vir DELE. ELE é que deve procurar você loucamente, rastejar aos seus pés e fazer de tudo pra voltarem.

Não tente ser amiga dele: a pior atitude que você pode ter depois que um relacionamento acaba é vocês resolverem ser amigos. Por mais que tenha terminado numa boa, esse lance de "nunca vamos perder o contato" é mentira. Daqui alguns meses, os dois (ou só ELE, o que é pior ainda) vai ter engatado um lance com outra ina e você acaba de passar para o segundo plano. Segundo plano não: você acaba de ser jogada no limbo. Ele nunca mais vai querer saber de você, nunca mais vai te ligar (nem ao menos pra fazer um remember) e tudo o que ele dizia quando vocês estavam juntos de que "você é a mulher da minha vida" vai se tornar insignificante, uma vez que ele vai dizer AS MESMAS COISAS... só que pra ELA!

Não acredite em tudo que ele te diz: se ele fala que está com saudades, nada de se derreter toda e já planejar como vai ser quando vocês reatarem. Provavelmente ele disse isso porque já estava acostumado com a sua presença no dia-a-dia e agora que não estão mais juntos, sente falta só da sua pessoa. Ou pior ainda: ele diz isso porque quer comer você algumas vezes enquanto ele não arruma uma outra parceira fixa.
Outra coisa importante: ele te pede pra não ficar com ninguém por enquanto porque ele vai fazer o mesmo. Daí você se priva de conhecer um monte de gente nova (e interessante, e bonita, e legal) porque acha que ele também está curtindo uma fossa e pensando em você. Que garantia você tem disso? NENHUMA. Ele dizer que não quer que você fique com ninguém porque sentiria ciúme, é apenas um eufemismo que mostra o quanto ele é machista e egoísta.

Perca totalmente o contato com ele: delete de Orkut, Facebook, pare de seguir no Twitter e PRINCIPALMENTE: DELETE do MSN. Não bloqueie. DELETE. Bloqueando fica mais fácil de cair na tentação de desbloqueá-lo para "eventualmente" falar um Oi. Se você fizer isso e eventualmente ele for seco na resposta, sua tristeza aumentará ainda mais e vai se mais um dia que você passará chorando.
Esse contato inclui querer saber o que ele está fazendo. Aconteceu comigo quando meu namoro terminou. Eu e ele frequentávamos os mesmos lugares. Um dia ele foi pra uma balada e ficou com uma menina. Claro que tinha um monte de conhecidos meus por lá que viram e no dia seguinte vieram me contar. Eu fiquei mega chateada e foi desnecessário saber disso. Então, controle sua vontade de investigar a vida do cara.

Exorcismo amoroso: Escute todas as músicas que lembram ele de uma só vez; releia todas as cartas que ele te escreveu, veja fotos, scraps que ele costumava te deixar, mensagens no celular... TUDO! E chore... chore MUITO enquanto estiver fazendo isso. Faça isso quando estiver sozinha em casa sem ninguém por perto pra te amparar ou dar conselhos. Chore até perder as forças, até ficar com o rosto inchado a ponto de ficar igual ao Fofão. Depois disso, guarde as fotos, as lembranças, as cartas, as músicas num lugar bem fundo, escondido e de difícil acesso E fique um bom tempo sem ter acesso a nada disso. Mas provavelmente você precisará fazer esse exorcismo mais de uma vez, mas todas as vezes que fizer pense "essa será minha última fossa". Você vai se impressionar que conforme o tempo for passando, esses rituais se tornarão cada vez menos freqüentes.

Lavagem cerebral não existe: já assistiu "Brilho eterno de uma mente sem lembranças"? Então eu aposto que você adoraria que existisse um tratamento daqueles. Que permitiria você nunca mais lembrar o nome dele, os momentos maravilhosos que passaram juntos, seus telefones, endereço... certo? Pois é, eu também iria adorar um tratamento daqueles e possivelmente faria caso existisse algo semelhante. Pois é, mas NÃO existe. Então não adianta você pensar: aaaai, porque não dá pra esquecer tudo? Se lamentar não adianta nada, NADA! Sofra o quanto tiver que sofrer, chore o quanto tiver que chorar... MESMO! Porque uma hora, por mais desesperada que você esteja no momento, essa dor VAI PASSAR. Não sei quando, não sei como, mas vai passar.

Amigas: elas adoram dar conselhos na sua vida e no término do seu relacionamento, né? Legal, ao menos você sabe que não está sozinha e se precisar chorar no ombro de alguém. Elas vão te distrair, te levar pra passear e vão escutar tudo o que você tem a dizer. Mas algumas dessas amigas podem querer dar conselhos demais. Exemplo: você resolveu ir pra balada com elas e tem um cara MUITO MARAVILHOSO querendo ficar com você. Mas você ainda não se sente pronta pra beijar outra pessoa. Só que a sua amiga acha que você TEM QUE ficar com ele, só assim vai esquecer o ex. Se você não está pronta, NÃO FIQUE! Além do arrependimento que vai te bater depois, vai acabar fazendo algo que na verdade não queria e por isso vai culpar a amiga e acabarão brigando. Saiba filtrar os conselhos que te servem e aquilo que VOCÊ quiser realmente fazer. E se por acaso acontecer algo parecido que aconteceu comigo (sua amiga viu ele com outra pessoa) e ela vier com aquele papo: você nem sabe quem eu vi ontem, responda: se você está falando DELE eu não quero saber.

Take your time: não se force a nada, NADA. Mais uma vez: sofra o quanto precisar sofrer. Não fique e/ou transe com ninguém só porque levou um fora e precisa disso pra provar que é superior a ele. Só faça baladas quando se sentir PRONTA para isso. Não se exponha na Internet e aproveite esse tempo que você está sozinha pra prestar mais atenção em você mesma.
Você vai descobrir coisas que nem imaginava...













(Digamos que resolvi escrever esse guia pra que EU MESMA possa ler de vez em quando e tentar não cometer os mesmos erros que eu venho cometendo desde que comecei a ter relacionamentos sérios)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Aprendeu a lição?

E aí Ana Clara. Será que depois de 3 ou 4 vezes passando pela mesma situação você finalmente vai aprender que as pessoas NÃO MUDAM? Que esse papo de que todo mundo merece uma segunda chance é a maior mentira do mundo?

Você já tinha passado por algo parecido quando seu primeiro namorado veio te procurar 3 anos atrás. Você no fundo sabia que aquilo tudo ia dar merda, mesmo com todas as coisas bonitas que ele te falava, os restaurantes e jantares chiques que ele te levou e as frases do tipo: me arrependi, eu mudei, dessa vez vai dar certo. Você acreditou, foi deixando se levar e aí o que aconteceu? Depois de só 3 semanas que ele tinha te procurado, ele fez com você EXATAMENTE o que fez da primeira vez.
Você se lembra do quanto chorou né? Do quanto ficou mal, sofrendo e se odiando por ter dado uma chance praquele sociopata de merda. Depois que tudo passou, o que você disse pra você mesma? Que as pessoas não mudam e se deu errado uma vez, vai dar errado pra sempre.

Aí passaram-se 3 anos e o que aconteceu com você? A MESMA COISA, só que com uma pessoa e uma situação diferente. Mesmo depois dessa pessoa ter falado que ia voltar com a ex namorada; mesmo você ter xingado ele de tudo quanto foi nome e mesmo você sabendo que ele era um cara confuso isso não te impediu de reatar com ele depois que ele te procurou.
Desde o começo você tava desconfiada, sabia que ia ser difícil ele reconquistar sua confiança... vocês já tinham brigado (na verdade, você brigou com ele) por ciúme seu da ex-namorada, ele já tinha cantado a bola: vai ser mais difícil do que pensei. Mas mesmo assim você continuou nessa. Continuou investindo num relacionamento que na verdade nunca existiu. Deu presente, se preocupou, se entregou fisicamente. E o que você teve em troca? NADA! Apenas uma conversa no MSN, acho melhor a gente parar de se ver, não vejo mais você como outra coisa além de amiga, depois eu te devolvo suas coisas e tchau. EXATAMENTE o que aconteceu nesse MESMO ano de 2010 só que em Janeiro. Mesmo depois das inúmeras sessões de terapia, mesmo depois de ter passado alguns meses longe de você... ele simplesmente NÃO MUDOU. E não vai mudar NUNCA!




Mas e aí? Você vai ficar mal por tudo isso, vai chorar sem ao menos saber o porquê e depois o que vai restar?
Você se apaixonar pelo primeiro imbecil que aparecer na sua frente só porque tá se sentindo carente?

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Notas de um término doloroso parte final


O dia 11 de agosto de 2008 seria decisivo para C. e ela sabia disso. Depois de tudo que ela viu na noite anterior; depois de ter chorado até perder as forças mais uma vez; depois de ter empapado o travesseiro com lágrimas de desespero e tristeza ela sabia que teria que tomar uma decisão a respeito do seu já fracassado namoro. No fundo, ela sabia que fim - literalmente - aquela história toda daria. Mas ela não queria aquele final. Ela queria outro. Ela queria que J. dissesse que queria tentar mais uma vez e que seria MESMO diferente.

Ele tinha respondido seu depoimento: eu to te chateando muito. Vamos conversar hoje e resolver nossa situação. C. sabia que aquilo era como um discurso de abertura antes do gran finale: vamos terminar. Tanto que passou o dia chorando, arrasada, sem saber o que fazer, o que dizer e o que pensar. As horas se arrastavam como se estivessem presas à uma imensa bola de ferro. Ele não tinha ligado no seu celular. “Se ele não me ligar, eu não vou atrás”, decidiu C. Afinal era ELE quem queria encontrar para conversar. C. só queria passar uma semana escondida, pensando.

Ele só deu sinal de vida no final do dia. Mandou um sms: podemos nos encontrar na faculdade? Ela respondeu: estarei na praça de alimentação lendo um livro a partir de tal hora. Me encontre lá se quiser. A mesma praça de alimentação onde ele havia dado a aliança para ela com aqueles olhinhos cheios de ternura e algo bem próximo a amor. Será que o cenário do início de toda aquela história também seria o cenário do fim?

Ele sentou na frente dela. C. estava com um livro de marketing aberto e na frente dela, algumas folhas de caderno rabiscadas. Estava tentando passar a ansiedade fazendo um resumo, mas ele não se demorou e logo estavam frente a frente. A praça de alimentação estava lotada e barulhenta. Ao lado deles, um grupo de universitários jogavam animadamente Guitar Hero. C. invejava-os. Aliás, ela invejava todo mundo que naquele momento estava feliz de verdade. C. se sentia tão triste, tão desamparada que se ela pudesse apertar um botão e se desligar de vez, ela teria feito isso.

- Me responde uma coisa. Por que você estava sem a aliança nas fotos?

- Você sabe que eu nunca usei aliança dentro de casa. E no fim das contas, eu estava atrasado, acabei saindo correndo e esqueci de colocá-la no dedo.

- Olha no fundo dos meus olhos e me diz que você não ficou com ninguém esse fim-de-semana.

Era uma pergunta idiota a se fazer naquele momento. Mesquinha, até. Ela não tinha que se preocupar com traição. O namoro já estava ruim há muito tempo. Ela deveria se preocupar em como eles resolveriam aquilo da maneira menos dolorosa possível. Se é que havia essa maneira.

- Não. Não fiquei com ninguém. Eu não fiz isso na maldade.

- Ta bom.

Silêncio entre os dois. Ela queria falar, mas não sabia o QUE falar. COMO falar. Ele, como sempre ficava quieto. Só o som infernal da praça de alimentação.

- Vamos sair daqui, ta muito barulho e eu mal consigo te ouvir.

Sentaram um do lado do outro num canto de uma escada em algum lugar daquele campus enorme da faculdade. Aí foi a vez dele falar.

- Não dá mais. Você tem se magoado por minha causa e eu não quero mais namorar. Ta insustentável tudo isso e precisamos terminar.

Pronto. O veredicto foi dado. Tudo aquilo que ela mais temia em escutar e ao mesmo tempo queria ter coragem pra dizer. Ela sabia que isso ia acontecer uma hora ou outra. Era ISSO o que ela queria ter dito a ele meses atrás, quando seus sentimentos estavam menos machucados. C. engoliu a seco e respondeu:

- Tudo bem. É o melhor que a gente faz.

Eles ainda ficaram mais um bom tempo conversando. C. tentou ao máximo não chorar nem demonstrar muitos sentimentos. Era muita chantagem emocional barata chorar na frente do seu agora ex-namorado.
Caramba, como esse pensamento doía. O cara mais lindo do mundo. Mais especial, carinhoso, que tinha absolutamente tudo a ver com ela e que dizia que a amava tanto... agora era seu ex namorado. E a banda que eles tinham em comum? Ela resolveu que iria continuar mas que a partir do momento que aquilo começasse a machucá-la, iria pular fora. Ele concordou. Não queria terminar brigados, com raiva um do outro. Ela ainda tentou argumentar. Se desarmou completamente dizendo tudo aquilo que sentia; seus medos e suas aflições; seus desejos e o quanto estava triste com tudo aquilo.

Voltaram juntos da faculdade pela última vez. Desceram juntos na mesma estação de metrô da última vez. E pela última vez ela o acompanhou até a porta do seu ônibus. Se abraçaram e ele disse no seu ouvido:

- Por favor, não me odeia.

As lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto. Ele tentou olhar nos seus olhos, mas ela abaixou a cabeça. Olhando para sua mão, tirou a aliança do seu dedo. J. tentou fazer o mesmo com ela, mas ela não deixou e disse:

- Elas vão ficar comigo. Tchau.

E foi assim que tudo terminou. C. entrou dentro do ônibus que a levaria para casa. As lágrimas agora corriam fartas pelas suas bochechas. Tudo aquilo que ela não tinha chorado na frente dele, iria fazê-lo agora.
Ela sabia que iria sofrer muito. Sabia que aquele sentimento de vazio iria tomar conta dela. O que ela não sabia é que iria durar mais tempo do que ela poderia aguentar...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Notas de um término doloroso parte II


Ela voltou para São Paulo depois de mais outro dia melancólico e triste. Dias assim estavam fazendo parte de sua vida. Mesmo assim ela não conseguia se acostumar de jeito nenhum. Na verdade, ela pensava: o certo da vida não é a gente se acostumar à coisas boas, que façam bem pra gente? Como que eu posso me acostumar a essa montanha de sentimentos ruins?

Ligou para ele mais uma vez. Ela não sabia que essa seria a última vez que ligaria para sua casa como namorada. Ela também não sabia por que ainda ligava. Era totalmente perceptível no tom da sua voz que ele não estava a fim de conversar. Talvez não com ela em específico. Mesmo assim, insistindo no erro, ligou. Não ficaram mais do que 15 minutos no telefone. Foi praticamente um monólogo. Ele mal participava, não interagia:
- como foi o show lá?
- foi legal.
- e o dia dos pais?
- foi ok
- você não ta muito a fim de conversar né?
- não muito.

E foi com essa frase que ela resolveu encerrar seu papel de ridícula, de menina desesperada que não sabe perceber em que momento o namoro ACABOU. Mais uma vez triste e amargurada, sentou na frente do computador. Viu que ele estava online, chamou no MSN mas nada; nem uma resposta. Ele saiu sem nem ao menos dizer boa noite. Pior que isso: postou fotos do show que sua banda tinha feito no dia anterior e para a surpresa de C. em todas as fotos ele aparecia SEM ALIANÇA. Sem aquele presente que ELE MESMO deu para ela no dia que estava fazendo 2 meses que tinham se conhecido. Bons tempos eram aqueles em que os dois estavam apaixonados um pelo outro. Toda vez que C. se lembrava daqueles tempos, sua tristeza aumentava ainda mais, se é que isso era possível.
Tudo que C. queria era poder voltar naqueles tempos, no começo do seu namoro onde ele a tratava como uma rainha, rasgava-se em elogios, carinhos e juras de amor. C. não conseguia entender: como que um namoro poderia se transformar... naquilo? E do nada? Como que J., que nos primórdios do namoro dizia que C. era tudo aquilo que ele sempre procurou e só tinha encontrado quando eles se conheceram e agora a tratava com tanta indiferença, com tanta frieza?

Quando viu àquelas fotos, C. estava se sentindo como se alguém estivesse sufocando-a. As lágrimas tentavam se esconder, pois dessa vez ela não estava sozinha. E ela não queria começar a chorar na frente da sua mãe ou de seu irmão mais uma vez pelo MESMO motivo. "A partir do momento que o namoro te faz mal C., você tem que terminar isso logo. Um relacionamento serve para nos deixar feliz e não triste", era o que sua mãe sempre lhe dizia. E aquilo estava fazendo mal fazia alguns meses. E ela continuava dando murros em ponta de faca, provando o quão masoquista uma pessoa pode ser em nome do "amor".
Era quase meia noite quando ela ligou no celular de J. Queria tirar satisfações sobre ele ter ido tocar sem a aliança. Será que ele já tinha terminado com ela e não tinha sido informada? Nada; ele não atendia. Não iria ligar na sua casa NAQUELA HORA. Tentou mais 2 vezes. Sem resposta. Acabou por mandar um depoimento no Orkut que dizia mais ou menos assim:

"Eu vi as fotos do show e que você tocou sem aliança. Você conseguiu me magoar de vez. Quero um tempo essa semana pra poder pensar no que vou fazer."

E foi para seu quarto vazio, frio. Foi empapar mais uma vez sua fronha com as lágrimas que estavam se tornando cada vez mais amargas. Seria outra noite longa, sem sono profundo e com os pesadelos mais horríveis.

(Continua)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Notas de um término doloroso parte I


Toda vez que chega no mês de Agosto, mais especificamente décimo primeiro dia desse mês, C. fica mais melancólica, quase que triste.
Ela sempre se lembra do que aconteceu nesse dia, nesse mês dois anos atrás.

Em 2008, o dia 11 caiu numa 2ª Feira. E no fim-de-semana anterior à esse dia, ela tinha passado 3 dias seguidos chorando, afundada numa tristeza e agonia que parecia não ter fim. Que a sufocava desde abril daquele mesmo ano. As lágrimas e o coração acelerado por medo de alguma coisa dar errado já eram rotina na sua vida pacata, sem graça e arrastada. Eram 5 meses de dúvidas, inseguranças, angustia, tristeza, esperança, medo. 5 meses que ela sabia que precisava tomar uma decisão que mudaria completamente o rumo de sua vida. Ela sabia qual era a decisão a tomar, qual seria a mais certa tanto para ela quanto para ele... mas ela não tinha colhões para isso. Preferia empurrar todos esses sentimentos ruins a eliminar o causador de tudo isso de uma vez por toda de sua vida.

No sábado, 9 de agosto C. passou o dia trancada dentro de casa, sozinha. Sua mãe tinha ido visitar seu pai. Ainda bem que ela estava sozinha. Pois assim poderia chorar tudo o que queria chorar, na desesperada tentativa de eliminar aquela dor no peito que ela sentia. Uma dor tão forte e tão real que parecia que ela poderia pôr a mão. Fazia muito frio, chovia constantemente e o sol não tinha dado as caras. Era o tempo perfeito para curtir uma fossa.
Tentando recuperar seu namoro, ela tinha ligado para J. convidando-o para almoçar. Ele ia tocar com sua banda em outra cidade à noite; ela tinha um aniversário para ir e no Domingo não daria tempo de se encontrarem. Ele não quis almoçar com ela. Estava frio ao telefone, não deu a mínima. Nem quando ela começou a choramingar no outro lado da linha. “Não quero chorar na frente dele”, ela pensou. Sempre achou que chorar na frente do namorado era uma chantagem emocional barata que só servia para que ele pisasse ainda mais em cima dos seus sentimentos. Quando pôs o telefone no gancho, as lágrimas aumentaram de intensidade, assim como a chuva lá fora. Querendo desabafar com alguém, ligou pra sua amiga:
- por favor, vem aqui em casa. Não sei mais o que eu faço.

Sua amiga veio. Elas conversaram e C. ouviu mais uma vez que precisava ter forças para terminar esse namoro que mais parecia um elefante pesando 89 toneladas. C. ficava cada vez mais desesperada quando ouvia esses conselhos. Ela SABIA que precisava pôr um fim nisso tudo. Mas o que ninguém parecia entender era que ela simplesmente não tinha CORAGEM para isso.

C. e sua amiga foram ao aniversário à noite. Foi bom, porque ela dançou a noite toda, deu risada e por ora conseguiu esquecer tudo de ruim que estava acontecendo na sua vida. Mas no momento que entrou no táxi de volta pra casa, todos os fantasmas que ela tinha exorcizado voltavam a assombrá-la. O domingo de dia dos pais não foi o suficiente para que ela esquecesse tudo. Sua tia fez a pergunta que não deveria ter feito:
- e aí, e o namorado?
- meu namoro ta uma bosta, tia. Nem queira saber.

(Continua)

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Lembranças


Esse fim-de-semana que passou, eu estranhamente senti uma saudade forte sua. Coloquei um cd pra tocar com músicas de uma banda que eu sei que você gosta e resolvi abrir a minha caixinha. A caixinha de Pandora, onde meses atrás quando fomos almoçar juntos pela última vez, eu a lacrei com cadarços velhos amarrados, escrevi bem grande NÃO ABRIR e joguei lá no fundo da parte mais alta do meu armário. Assim, ficava mais difícil ter acesso à todas aquelas fotos, os set lists dos seus shows (que eu ia toda orgulhosa, empunhando uma máquina fotográfica e registrando tudo, pois achava você em cima do palco a coisa mais linda do mundo), a carta e pequenos detalhes que só faziam sentido pra nós.

Mas esse fim-de-semana eu resolvi abrir essa caixa. E revi todas as fotos, parando em cada uma delas por longos minutos, prestando atenção em mim, em você, em nós dois. Pra poder olhar de novo o seu sorriso, que foi o que me conquistou logo de cara assim que te conheci. Pra olhar uma foto e me lembrar de onde estávamos, o que tínhamos feito naquele dia, o que estávamos escutando e dizendo um para o outro. Pra notar no seu olhar terno e carinhoso pra mim. Olhei pra foto que alguém tirou da gente num Mac Donald's qualquer, logo depois que saímos do motel. Acho que ainda nem tínhamos completado 1 mês de namoro. E era visível a felicidade que estávamos sentindo. Bem nessa hora começou a tocar "Heart of Gold" e me lembrei também da primeira vez que escutei essa música. Estávamos deitados e ouvindo a voz do Zakk Wylde e você me disse: "ainda bem que eu não precisei atravessar o oceano pra achar o meu heart of gold". E enquanto me lembrava disso e ficava admirando nossa foto, eu... eu senti meus olhos ficarem marejados. Foi uma sensação muito estranha. Eu não sentia isso por você há MESES.

Depois li a única carta que você me escreveu em 10 meses de namoro. Me lembrei do dia que você me deu, de onde estávamos (voltando da faculdade juntos, como sempre) e ia fazer só 2 meses que estávamos juntos, que a gente se conhecia. Mas de acordo com a carta, parecia muito mais tempo, porque nos dávamos muito bem e eu era a garota que por tanto tempo você procurou, mas só tinha encontrado quando me conheceu. Você também era tudo o que eu buscava em um homem. E tive sorte de ter vivido essa experiência, mesmo que por menos tempo do que eu desejava. Aí, quando cheguei ao final da leitura da carta, vi o "Eu amo muito você". Isso deixou meu coração ainda mais apertado e a saudade misteriosamente aumentou ainda mais.

Por último achei a embalagem de acrílico em formato de coração com o melhor presente que você me deu. No dia que fez 2 meses que tínhamos nos conhecido. Sentamos na praça de alimentação da faculdade e você disse que tinha uma surpresa pra mim e aí...
Confesso que coloquei a aliança no meu dedo enquanto escutava as músicas e remexia no passado. A impressão que deu era de que ela está mais justa no meu dedo. Será que eu engordei e por isso meu vestido Armani não serve mais? Será que durante esses quase dois anos engordei de mágoa, choro contido, tristeza, angústia e raiva depois que o namoro acabou?
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Caramba... quase 2 anos já. E pensar que eu só consegui superar a pior fase pós-namoro de Novembro do ano passado pra cá. E mesmo assim (e eu odeio admitir isso), eu ainda sinto um pouco sua falta. Ainda guardo um milhão de lembranças, objetos e memórias. Ainda sinto frio na barriga com certas coisas que se relacionam a você.
Você é meu heart of gold. E acho que sempre vai ser...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Notas de uma vida irônica

No dia 14/09/2007 eu conheci uma pessoa. Um homem. Ficamos naquela noite, era uma sexta-feira e quando nos beijamos foi como se o que estava acontecendo ao nosso redor, tinha parado. Cena de filme mesmo. A partir daquele beijo eu me apaixonei loucamente por ele. Em 27/09/2007 ele me pediu em namoro. Sim, num curto espaço de duas semanas viramos namorados e em um mês mais ou menos já declarávamos "eu te amo" um ao outro.

Foram 10 meses de namoro com essa pessoa. Ele era exatamente tudo o que eu sempre idealizei num homem. Alto, magro, rosto quadrado, sorriso lindo, beijo delicioso, cabelos longos e lisos. Nossos gostos musicais eram muito parecidos e na cama... bom, era uma delícia também. Mas em agosto de 2008 o namoro acabou. Na verdade, ele já tinha acabado em abril do mesmo ano, mas tanto eu quanto ele empurramos uma situação já quase insustentável com a barriga até o derradeiro momento do: não dá mais, precisamos terminar MESMO.
E eu sofri. Sofri muito. E não foram alguns poucos meses de fossa. Foi mais de um ano, mais do que eu podia imaginar, mais do que minhas lágrimas e meu coração já dilacerado podia aguentar. A gente ainda tinha algumas recaídas, mas nada que significasse algo para ele. Somente para mim, esperançosa, tola, sofrida e magoada.

Eis que em 2009 aconteceu algo que eu não imaginava. Quer dizer, eu não QUERIA imaginar - pois sabia que uma hora ou outra isso ia acabar acontecendo. ELE começou a NAMORAR... uma OUTRA MENINA! Ele não me quis de volta, ele conheceu uma outra pessoa, se apaixonou e logo começou a namorar com ela.

Aquilo prá mim foi quase como o Apocalipse. Instantâneamente eu passei a odiar a namorada atual. Achava defeito em tudo, tirava sarro de suas fotos, fazia provocações virtuais, encarava quando encontrava pessoalmente, fiz todos os meus amigos odiarem ela também. Eu gostava de brigar com ela, mas ao mesmo tempo aquilo parecia pesar umas 10 toneladas sobre as minhas costas.




Foram meses de ódio mortal contra uma pessoa que eu sequer conhecia pessoalmente, sequer tinha trocado um OI. Até que um belo dia, por uma intervenção do destino ou qualquer coisa que o valha, eu e ela passamos a nos falar por MSN. Primeiro para deixar tudo em pratos limpos. Ela entendeu o meu lado, o porquê de eu ter pirado e eu entendi o lado dela. Essas conversas aos poucos foram tornando-se diárias. Não tinha mais roupa suja para lavar, eram apenas conversas fúteis, típicas do Messenger. Quando eu me dei conta, estava falando sobre o meu ex (seu namorado) como se estivesse falando de uma pessoa qualquer. Sem que isso me doesse por dentro.

Mas foi nesse último fim-de-semana que aconteceu o que prá mim é o mais, hmmm, extraordinário até agora: nos encontramos em um bar para ver o show de uma banda cujo meu irmão E o meu ex namorado fazem parte. Eu e ela não ficamos nos encarando ou querendo briga. Pudemos olhar uma para a outra sem vergonhas, sem clima ruim, conversar como duas pessoas civilizadas. Como se nada daquelas atitudes infantis tivessem acontecido. E pude ver ELE com ela, sem que isso me fizesse sofrer AINDA pelo rompimento.





Irônico? Eu diria que sim.
Eu não sou muito boa em escrever, mas tenho certeza que Nelson Rodrigues faria uma ótima crônica sobre isso.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Olhos nos olhos


Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais


E que venho até remoçando
Me pego cantando, sem mais, nem por quê
Tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você


Quando talvez precisar de mim
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos
Quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz



~*~

Na minha humilde opinião, Chico Buarque é um dos compositores mais maravilhosos que a música brasileira já produziu. Como é que pode entender assim a alma feminina? Isso é exatamente o que toda mulher algum dia quis dizer prá um homem... é exatamente o que EU quero dizer prá você agora.

Eu fiquei triste e me senti rejeitada, mas agora eu vejo que definitivamente você não é o único e que vai aparecer alguém que vai me amar, me desejar, me cuidar e me respeitar, bem mais do que você poderia imaginar, bem mais do que você poderia ter feito.

Você merece uma vida exatamente assim: medíocre, sem-graça, rotineira e vazia. E quando você conseguir me encarar de frente, sem medo de me olhar DE VERDADE (lembra quantas vezes você dizia ter medo do meu olhar, que era expressivo?) você vai perceber que eu estou bem mais feliz sem aquela insegurança que você me trazia.

Have a nice life

sexta-feira, 5 de março de 2010

Baseado em fatos reais I


G. estava tão na fossa naquela época, que quando a namorada do seu tio disse que um amigo seu viu uma foto dela e se interessou, ela logo se interessou também. O único detalhe é que ele não morava no Brasil. Droga, ela pensou. Mas A. (a namorada do seu tio) falou tão bem de L., que valia a pena trocarem e-mails. Como não tinha nada a perder, G. resolveu dar uma leve investida.

Primeiro começaram a trocar e-mails inocentemente. O que você gosta de fazer? Ahn, só isso? Você tem cara de ser mais novinha. Ballet? Nossa, também adoro dançar. É tenho um irmão mais novo que tem leucemia. Há quanto tempo você vive em outro país? É legal? Conheceu A. de onde? Nossa, como você é bonita. Foram meses assim. G. não sabe dizer ao certo quanto tempo exatamente, mas um belo dia ela se deu conta de que estava mais envolvida nessa história do que ela realmente gostaria. Voltou a ficar na fossa. Antes, era como se estivesse tapando o sol com a peneira, usando L. prá esquecer daquele outro cara que a tinha feito sofrer. Mas quando ela se deu conta de que estava bastante envolvida emocionalmente com um cara que ela sequer conhecia pessoalmente, a tristeza foi muito maior. Enquanto isso, ela confidenciava os e-mails que trocava com L. com a melhor pessoa que poderia aconselhá-la: A. Afinal, L. era amigo dela, com certeza ela lhe daria conselhos valiosos. Mas também, cada vez que G. pensava seriamente em desistir daquela pseudo-história de amor, A. desencorajava-a. Como que você pode fazer isso G. Ele é completamente louco por você e você precisa de um cara legal, que te trate bem, bonito, simpático. Sim sim, G. concordava com tudo isso. Mas como se entregar dessa maneira prá um cara que ela não conhecia REALMENTE?

As semanas foram se passando. Elas se transformaram em meses. Os meses se transformaram em anos. Sim, foram 3 anos nesse maldito círculo vicioso, onde G. passava seus dias trocando e-mails com L. E-mails apaixonados, promessas de um visitar o outro em breve e até mesmo e-mails de brigas de namorados. Coisa mais estranha era essa. Briga de namorados via internet com um cara que ela nem conhecia de verdade.
G. queria mesmo sair desse círculo vicioso. Mas por algum motivo desconhecido ela não conseguia. Ela queria conhecer L. pessoalmente, olhar nos olhos dele, tocá-lo. Chegou a comprar passagens de avião para visitá-lo nos EUA. Mandou um e-mail dizendo: estou indo te visitar no dia tal. Preciso te conhecer. Dois dias depois, ela recebeu a resposta: G. me desculpa, não estou nos EUA, precisei ir à Europa para o tratamento de leucemia do meu irmãozinho. Droga, não ia ser dessa vez que eles iriam se conhecer. Até que surgiu uma luz: A. iria se casar com o tio de G. e L. havia sido convidado pras comemorações. Foram 3 meses de preparação, ansiedade, nervosismo e felicidade. FINALMENTE eles poderiam sair do campo virtual e se relacionarem no campo real. No dia do casamento, a surpresa: L. não estava conseguindo embarcar. Algum problema nos aeroportos americanos (ele já tinha voltado para os Estados Unidos), ou com o passaporte. Mais uma vez o destino tinha interferido no encontro dos dois.
E por mais que G. continuasse tentando, ela não conseguia se envolver com ninguém, não conseguia esquecer essa história, sair dessa “relação” tóxica. É, foram 3 anos levando uma vida assim, de mentira.

(continua no próximo post)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

É isso aí...

Dizem que a melancolia é o melhor sentimento para se escrever ótimos textos.
Resolvi acreditar e criei um blog. Porquê é assim que eu tô me sentindo hoje. Melancólica. Por uma série de coisas que aconteceram comigo entre segunda-feira e hoje. Incrível como em questão de DIAS, HORAS eu posso experimentar todo tipo de sensação.


É... talvez eu tenha escolhido um nome errado pro meu blog. Talvez minha vida não seja assim tão ordinary... ou talvez ela seja sim. Uma vida comum, cheia de tropeços, acertos, casos amorosos, estresses, como uma vida de qualquer pessoa de 22, quase 23 anos.






Let's the madness begins!